Seminário Permanente - José Guimarães e Marta Soares

José Guimarães

Faculdade de Letras ULisboa (FLUL)

 

Marguerite Yourcenar na Confluência Entre as Humanidades e a Saúde

 

No âmbito de um projecto e pós-doutoramento na área das Humanidades Médicas, o nosso estudo centra-se na obra ficcional de Marguerite Yourcenar incidindo mais especificamente em Memórias de Adriano, A Obra ao Negro e Um Homem Obscuro e, complementarmente, em textos de cariz reflexivo que deram origem ao volume De Olhos Abertos. Conversas com Mathieu Galley  e Lettres à ses amis et à quelques autres, volume de epístolas endereçadas pela autora de 1909 a 1987, ano da sua morte.

O objetivo principal deste trabalho consiste em interrogar e esclarecer, a dimensão social e ecológica da obra e do pensamento de Yourcenar, o seu olhar sobre a doença, indissociável da crise ecológica planetária que começava a dar sinais de alerta.  A nossa leitura das narrativas do Homem e da Terra é respaldada pelo pensamento mais recente de autores como Alan Bleakley e Bruno Latour cujos trabalhos recentes, inscritos respetivamente no campo das Humanidades Médicas e da Filosofia das ciências, favorecem uma exploração dessas questões.

As obras de Marguerite Yourcenar mencionadas oferecem, assim, um laboratório excecional para o estudo de questões colocadas pelas Humanidades Médicas em confluência com as questões ecológicas. Numa correlação exemplar entre maleitas humanas e maleitas do mundo, será possível vislumbrar pistas para um questionamento ético do papel do Homem na ordem biológica do nosso planeta, na qual se enquadram a sua qualidade de vida e a saúde sustentável.

 

 

Marta Soares

Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas ULisboa (ISCSP)

 

Para além dos números da pandemia: o testemunho pessoal no jornal Público

 

Em março de 2020, foram confirmados, em Portugal, os primeiros casos de infeção pelo novo coronavírus. Desde então, a cobertura mediática deste evento tem procurado não só informar, mas também influenciar, recorrendo sobretudo a informação de teor numérico. Se, por um lado, enquanto prova tangível, estes dados factuais são imprescindíveis ao acompanhamento e gestão da pandemia, a sua paradoxal repetição e instabilidade fomentam dúvida e ansiedade, além de traçarem um retrato distante, frio e abstracto.

Nesse sentido, a narrativa pessoal torna-se fulcral para uma representação mais humana, detalhada e próxima da vivência pandémica, abrindo espaço para a (inter)subjectividade e emoção. A partir de uma seleção de artigos do jornal Público que incidem sobre a perspectiva do doente, procurarei ir além da dicotomia logos vs. pathos e refletir sobre a relevância destes relatos enquanto testemunho somático, isto é, breves narrativas que materializam uma experiência corporal e lhe conferem veracidade. Por outro lado, que questões éticas são suscitadas pela utilização destas narrativas? Quais os propósitos subjacentes à sua inclusão, e possíveis consequências?

 

 

15 de Julho de 2021, às 18h (Horário de Portugal Continental), via Zoom

Linkhttps://zoom.us/j/99991649975?pwd=WjkwZThmKy90MzZSK0xZY0liNDMzUT09

ID da Sala: 999 9164 9975

Senha de Acesso: 5Vxp7Q

 

A sessão será moderada pela Professora Maria de Jesus Cabral

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